O que preciso saber sobre o transtorno do estresse pós-traumático

Primeiro: O que é o transtorno do estresse pós-traumático

Para que a pessoa desenvolva o TEPT , é necessário que ela tenha vivido ou testemunhado situações que envolvam morte, serio ferimento ou ameaça a sua integridade física ou de pessoas próximas. Para que seja diagnostica com TEPT, é preciso que ela apresente após um mês de ocorrido o trauma, alguns dos sintomas descritos a seguir:

Reexperimentação: Normalmente o choque emocional é tão diferente das experiências cotidianas da pessoa, que essa experiência fica repetindo na sua mente, fazendo com que reviva o trauma constantemente.

Evitação: É comum que para fugir de sentimento indesejados, a pessoa comece a evitar entrar em contato com situações e/ou pessoas que a lembrem do trauma.

Alterações negativas persistentes em pensamentos e no seu estado de humor: Ao tentar afastar pensamentos e sentimentos dolorosos, a pessoa pode acabar tendo dificuldades em sentir todas as outras emoções, como: Amor, alegria, esperança, etc

Excitabilidade aumentada: A pessoa e seu corpo estão em constante estado de alerta, sempre prontos para responder imediatamente a uma situação perigosa, porém esse estado se trona incomodo quando continua por muito tempo, até mesmo em situações seguras.

O TEPT acarreta diversas implicações na vida do indivíduo em várias esferas, como na afetiva, social e do trabalho. A pessoa nesse estado tem todo o seu sistema de alerta alterado, fazendo com os estímulos mínimos causem taquicardia (o coração bate mais forte), aceleração da respiração e concentração da musculatura. As situações começam a ser vistas como mais perigosas do que efetivamente são. A pessoa evita todas as situações que lembrem o trauma.

É importante saber que os pensamentos, ou seja, a forma como interpretamos as situações, influencia diretamente na forma como sentimos, nas reações corporais e nas ações que tomamos em cada situação. Ou seja, quando pensamos que algo é perigoso, sentimos o coração bater forte, suamos, trememos, etc..e, ao mesmo tempo tentamos fugir da situação.

As principais interpretações de pessoas que sofrem deste transtorno são a de que o mundo é perigoso e que não tem competência para lidar com as ameaças. Normalmente tendo pensamentos automáticos como: “Eu poderia de feito algo para evitar o que aconteceu”, ligado ao sentimento de culpa. “Porque isso aconteceu comigo”, ligado ao sentimento de raiva. “Eu nunca mais serei a mesma pessoa” ligado ao sentimento de tristeza/desesperança.

Quando a pessoa avalia a si e ao mundo negativamente, há aumento de ansiedade. Isso tem todo o sentido, pois a pessoa se vê como incompetente para lidar com as ameaças de um mundo perigoso. Essa ideia causa medo e desejo de evitar as situações que dão ansiedade. Uma estratégia muito usada para pelas pessoas para diminuir a ansiedade de forma rápida é a evitação. Contudo, essa estratégia leva a redução imediata da ansiedade, porém aumenta o medo a longo prazo.
Através da utilização da evitação como ferramenta de alivio imediato da ansiedade, acaba-se perpetuando o problema, pois quanto mais você evita, mais você esta reafirmando para si mesmo que não consegue. Ou seja, não aprende uma melhor forma de lidar com a ansiedade. Evitar pensar no trauma, ao invés de fazer com que você esqueça do trauma, tem efeito contrário, garante que você se mantenha no TEPT.

É importante saber que a ansiedade não aumenta para sempre, ela chega ao seu máximo e, a partir disso, se estabiliza e começa a diminuir. Quanto mais você entrar em contato com o que lhe dá medo, mais sua ansiedade vai diminuindo aos poucos.

Como posso lidar com o TEPT?

O principal tratamento é você estar disposto a, com a ajuda do terapeuta, falar sobre o trauma que você viveu. No inicio é muito difícil, mas vai ficando cada vez mais fácil. Além disso, você com o auxilio da terapia, deixará de evitar situações que você teme, ligadas ao trauma. Há várias técnicas da Terapia Cognitivo Comportamental que podem ser usadas pelo terapeuta para ajudar no tratamento do TEPT. A seguir vou mencionar algumas delas.

  • Reavaliação do modo de pensar
  • Técnicas de enfretamento
  • Técnicas de manejo de ansiedade

A terapia Cognitivo Comportamental está respaldada em diversas pesquisas que comprovam a sua eficácia, sendo por muitas vezes a primeira escolha no tratamento do TEPT. Sabemos que este transtorno se mostra incapacitante, impedindo que a pessoa leve uma vida normal. É comum que a pessoa que desenvolveu o TEPT pense que nunca mais conseguira viver como vivia antes do trauma, contudo, através da terapia podemos investir em pequenos passos, um de cada vez. E a cada passo você irá reforçar a autoconfiança. Um passo de cada vez, consolidando essa jornada em busca do seu objetivo.

Fonte: Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental. Marcele Regiane de Carvalhor, Lucia Emmanoel Novaes Malagris e Bernard P. Rangé.